Roadshow da IPO da SpaceX começa amanhã — como é uma oferta pública de US$ 1,75 trilhão na prática

O roadshow de investidores da SpaceX começa em 4 de junho de 2026. A empresa planeja listagem na Nasdaq em 12 de junho sob o ticker SPCX, a US$ 135 por ação, com 555,6 milhões de ações ofertadas — captando aproximadamente US$ 75 bilhões a uma valuation entre US$ 1,75 trilhão e US$ 2 trilhões. Se esses números se confirmarem, será a maior oferta pública da história, quase três vezes o tamanho do recorde da Saudi Aramco, que levantou US$ 25,6 bilhões em 2019.
A SpaceX divulgou oficialmente seus planos de IPO em 20 de maio de 2026, após protocolar confidencialmente um draft de registro na SEC em 1º de abril. O timing é estratégico: a empresa esperou até que suas métricas de negócios fossem fortes o suficiente para sustentar uma valuation que faz as outras empresas públicas de Musk parecerem de tamanho modesto.
O negócio por trás da valuation
A SpaceX reportou US$ 18,67 bilhões em receita em 2025, número que reflete a escala da empresa em serviços de lançamento, internet via satélite Starlink e contratos governamentais. O dado menos favorável: um prejuízo líquido de US$ 4,94 bilhões. A US$ 1,75 trilhão, a valuation implica um múltiplo price-to-revenue de aproximadamente 94x — um prêmio que exige uma narrativa forte de lucros futuros.
A narrativa gira em torno da Starlink. A divisão de internet via satélite é a única unidade de negócios lucrativa da SpaceX atualmente. Com cerca de 4,5 milhões de assinantes globalmente no início de 2026 e ARPU (receita média por usuário) mensal de aproximadamente US$ 120 para planos de consumo, o run rate anualizado da Starlink ultrapassa US$ 6 bilhões. A divisão está se expandindo: parcerias direct-to-cell com T-Mobile e outras operadoras, planos empresariais e marítimos, e contratos governamentais com preços significativamente mais altos. A Starlink é o que torna a valuation coerente — o argumento é que a SpaceX está sendo precificada principalmente como uma empresa de infraestrutura de internet via satélite e comunicações, com um negócio de foguetes acoplado.
A oferta é estruturada como all-primary — cada dólar captado vai diretamente para o balanço da SpaceX, não para acionistas existentes. Elon Musk está sujeito a um lock-up period de 366 dias sobre suas participações pessoais. Até 30% das ações são reservadas para investidores de varejo, uma alocação excepcionalmente alta para um negócio desse porte, o que sinaliza uma estratégia deliberada para criar demanda no varejo e visibilidade na mídia em torno da listagem.
A complicação da xAI
O prospecto da SpaceX precisa considerar um desenvolvimento significativo: a fusão da empresa com a xAI de Elon Musk no início de 2026. A fusão trouxe o modelo de linguagem Grok da xAI e a infraestrutura de AI para o guarda-chuva corporativo da SpaceX, com planos declarados de usar parte dos recursos da IPO para expandir a infraestrutura de AI. Isso cria uma narrativa de que a SpaceX não é mais apenas uma empresa de lançamentos ou mesmo de internet via satélite — agora é também uma empresa de infraestrutura de AI com uma divisão de supercomputação.
A fusão complica a valuation. A xAI foi avaliada independentemente em aproximadamente US$ 50 bilhões em sua última rodada privada. Se esse valor é aditivo à valuation de lançamentos e Starlink da SpaceX ou se já está precificado é uma questão que investidores institucionais vão investigar intensamente durante o roadshow. Também cria complexidade de partes relacionadas: Musk controla ambas as empresas, e os termos da fusão e a governança contínua precisam atender aos requisitos de disclosure da SEC para uma empresa pública.
O argumento dos céticos
A US$ 1,75 trilhão, a SpaceX seria precificada acima do market cap da Apple no início de 2024 e acima de todas, exceto as maiores empresas de capital aberto do mundo. O argumento dos céticos é direto: a valuation exige que a Starlink atinja uma escala de lucratividade que ainda não se materializou, exige que o negócio de lançamentos mantenha poder de precificação em um mercado onde ULA, Blue Origin e Rocket Lab estão competindo, e exige que a integração da xAI gere receita de AI que justifique um prêmio significativo acima da história de internet via satélite sozinha.
O prejuízo líquido de US$ 4,94 bilhões em 2025 é particularmente notável dado que a cadência de lançamentos da SpaceX — mais de 130 lançamentos em 2025 — é a mais alta do mundo e gera receita substancial. Altos custos de lançamento, gastos com desenvolvimento do Starship e o capital expenditure de construção da constelação Starlink em escala são os principais fatores. Nenhuma dessas linhas de custo deve diminuir no curto prazo; a rampa operacional do Starship e a fabricação contínua de satélites Starlink exigem investimento de capital sustentado.
A análise do Fool.com publicada em 2 de junho observou que a SpaceX reduziu sua meta de valuation de IPO em US$ 200 bilhões, de uma faixa anterior de US$ 1,95–2T para a meta atual de US$ 1,75T — um sinal de que o feedback do roadshow de investidores institucionais já está moderando as ambições iniciais.
O que acontece depois de 12 de junho
A alocação de 30% para o varejo provavelmente gerará uma demanda substancial de investidores individuais que acompanham as conquistas da SpaceX — foguetes reutilizáveis, crescimento da Starlink, desenvolvimento do Starship — há anos e não tinham como participar. Esse entusiasmo do varejo cria um piso para o preço da IPO e deve impulsionar um forte volume de negociação no primeiro dia.
A pergunta mais difícil é onde a SPCX vai se estabilizar depois que o entusiasmo inicial passar e os investidores institucionais fizerem as contas dos lucros trimestrais. A SpaceX reportará prejuízos líquidos no futuro previsível. Seu negócio é verdadeiramente notável — a empresa tem mais capacidade de lançamento do que qualquer outra entidade na Terra, um negócio de internet via satélite em crescimento e agora uma divisão de AI — mas negócios notáveis ainda precisam ganhar suas valuations ao longo do tempo.
O roadshow acontece esta semana. As negociações começam em 12 de junho. Será o evento de mercado mais acompanhado de 2026.
Fontes: Seeking Alpha; The Motley Fool; Morningstar
Originally reported by Seeking Alpha / Reuters. Read the original article for additional details.
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