Microsoft e Chevron fecham acordo de 20 anos para abastecer data center de IA de 2,67 GW no oeste do Texas

A Microsoft e a Chevron fecharam um acordo de compra de energia de 20 anos para construir uma usina dedicada a gás natural no oeste do Texas, que vai abastecer um complexo de data centers de IA avaliado em US$ 7 bilhões. O projeto, chamado Project Kilby, será desenvolvido em mais de 2 mil acres na Bacia do Permiano e terá capacidade de 2,67 gigawatts — o suficiente para abastecer cerca de 2 milhões de residências. É o maior acordo de energia já firmado entre uma petroleira e uma empresa de tecnologia, segundo reportagem da Bloomberg.
A escala do projeto reflete a pressão que a infraestrutura de IA está colocando na rede elétrica dos EUA. A demanda por energia dos data centers no país deve quase dobrar, chegando a 77 gigawatts até 2030, impulsionada principalmente pelos requisitos computacionais de LLMs e clusters de GPU. Para a Microsoft, que está comprometida em construir infraestrutura global de IA para seus produtos Azure AI e Copilot, garantir um fornecimento dedicado de energia por décadas é tão estratégico quanto os próprios data centers — as conexões tradicionais com a rede elétrica não conseguem garantir a estabilidade ou o volume que workloads hyperscale de IA exigem.
A Chevron e a Engine No. 1 — a firma de investimento ativista conhecida por colocar diretores focados em clima no conselho da ExxonMobil — vão co-desenvolver a usina. A GE Vernova fornecerá as turbinas a gás e a infraestrutura elétrica; a Solar Turbines, subsidiária da Caterpillar, vai gerar capacidade adicional. A Chevron fornecerá gás natural de suas próprias operações na Bacia do Permiano, criando uma cadeia de suprimentos verticalmente integrada. A empresa espera obter retornos de dois dígitos baixos com o investimento, marcando o Project Kilby como a entrada formal da Chevron no negócio de geração de energia a gás — uma nova categoria de receita para uma empresa historicamente focada em produção de petróleo e gás upstream.
O cronograma é deliberado, mas longo. A Chevron espera tomar a decisão final de investimento até o fim de 2026, com a primeira geração de energia começando em 2028 e a construção total se estendendo até os anos 2030. Esse ritmo segue o padrão de desenvolvimento de campuses hyperscale de data centers — em fases, conforme a disponibilidade de hardware e a demanda dos workloads.
O acordo chama a atenção tanto pela duração quanto pela estrutura. Um contrato de 20 anos é incomum no setor de tecnologia, onde os acordos de infraestrutura geralmente têm de 10 a 15 anos no máximo. Garantir um ativo dedicado de geração de combustível fóssil por duas décadas sinaliza que a Microsoft está apostando que a demanda computacional por IA continuará estruturalmente alta até os anos 2040 — e que a energia renovável em escala de rede, embora seja uma prioridade de longo prazo, não pode sozinha atender aos requisitos de confiabilidade e densidade dos maiores data centers hoje. A localização na Bacia do Permiano também dá à Microsoft acesso direto a algumas das reservas de gás natural mais baratas e abundantes da América do Norte.
Para a Chevron, o movimento diversifica a base de receita em um momento em que as grandes petrolíferas são cada vez mais pressionadas a mostrar um caminho além da extração upstream. A empresa fez questão de enquadrar o Project Kilby não como uma concessão climática, mas como uma oportunidade comercial criada pela demanda energética da IA — uma posição que contorna o debate sobre descarbonização enquanto captura receita real de infraestrutura vinda do crescimento da IA.
O Project Kilby se junta a uma lista crescente de projetos de infraestrutura energética dedicada ancorados por empresas de tecnologia, como o acordo da Microsoft com a Constellation Energy para reativar uma unidade em Three Mile Island para energia nuclear, e o interesse da Meta em capacidade de small modular reactor. O ponto em comum é que os maiores operadores de IA não estão mais dispostos a depender da capacidade compartilhada da rede para seus workloads mais intensivos em energia.
Originally reported by Bloomberg / Chevron. Read the original article for additional details.
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