<p>Atores ligados ao Irã rastrearam funcionários dos EUA através de uma falha de telecomunicações SS7 com décadas de existência, aponta investigação do FT</p>

Uma investigação do Financial Times descobriu que atores ligados ao Irã rastrearam as localizações de pessoal e contratados dos EUA no Oriente Médio durante hostilidades recentes, explorando duas vulnerabilidades conhecidas há muito tempo, mas ainda não resolvidas, na infraestrutura global de telecomunicações: o protocolo de sinalização SS7 e dados de publicidade móvel disponíveis comercialmente. A reportagem se baseia em dados do projeto de pesquisa Mobile Surveillance Monitor e ocorre enquanto legisladores dos EUA levantaram separadamente preocupações sobre vulnerabilidades no sistema de roaming e em adtech.
Como o rastreamento supostamente funcionou
SS7, ou Sistema de Sinalização nº 7, é o protocolo de décadas que as operadoras de telecomunicações usam para rotear chamadas e mensagens entre redes, inclusive determinando a localização aproximada de um telefone quando ele está em roaming fora de sua rede de origem. Pesquisadores de segurança alertam há mais de uma década que o SS7 carece de autenticação robusta, permitindo que uma operadora com acesso à rede envie "pings" de consulta de localização para a operadora de um alvo e receba de volta uma posição aproximada – sem o conhecimento da pessoa ou qualquer exploit rodando no próprio telefone. De acordo com a reportagem do FT, redes de telecomunicações do Oriente Médio registraram e bloquearam repetidas solicitações de ping SS7 durante o período relevante, evidência de que alguém estava ativamente sondando dados de localização de números específicos.
Separadamente, atores ligados ao Irã teriam usado bancos de dados de publicidade disponíveis comercialmente – as mesmas trocas de dados de real-time bidding que alimentam anúncios móveis segmentados – para rastrear telefones na região semi-autônoma do Curdistão, no norte do Iraque. Essa é uma técnica distinta da exploração de SS7: dados de localização de adtech são gerados quando aplicativos compartilham a localização do dispositivo com redes de anúncios para fins de lances, e esses dados já foram repetidamente mostrados como compráveis ou acessíveis por partes muito além do uso publicitário pretendido.
Por que essa combinação é importante
Gary Miller, pesquisador sênior do Citizen Lab citado na investigação, disse que o Irã "absolutamente tem capacidades para obter informações de localização em tempo real, imediatas e contínuas", acrescentando que seria surpreendente se o Irã não estivesse usando SS7 ou outro acesso a redes móveis na região para rastrear usuários ligados aos EUA. As autoridades do Golfo citadas na reportagem suspeitaram especificamente da exploração de acordos de roaming, apontando como a infraestrutura comercial de telecomunicações está integrada à capacidade de vigilância estatal uma vez que um ator obtém qualquer nível de acesso à rede.
Um problema conhecido e não resolvido
As vulnerabilidades do SS7 não são novas – pesquisadores de segurança demonstraram publicamente o rastreamento de localização e a interceptação de chamadas baseados em SS7 desde pelo menos 2014, e o Citizen Lab publicou pesquisas extensas catalogando a exploração de telecomunicações por parte de estados e fornecedores comerciais de vigilância, incluindo um relatório mais amplo intitulado "Bad Connection: Uncovering Global Telecom Exploitation by Covert Surveillance Actors". O protocolo permanece em uso global porque substituí-lo em todas as operadoras interconectadas do mundo é um enorme problema de coordenação que a indústria nunca resolveu completamente, mesmo enquanto agências de inteligência, fornecedores comerciais de spyware e agora aparentemente atores ligados a estados em conflitos ativos continuam a explorá-lo.
Até o momento da publicação, nem o governo dos EUA nem os reguladores de telecomunicações do Golfo emitiram uma confirmação pública ou resposta às descobertas do FT. O episódio se soma a um conjunto crescente de evidências de que protocolos legados de sinalização de telecomunicações e mercados de dados publicitários não regulamentados representam riscos de vigilância paralelos e amplamente não abordados – um enraizado na arquitetura de rede da década de 1970, o outro na economia moderna de publicidade móvel, conforme reportado pelo Financial Times.
Originally reported by Financial Times (via Roya News). Read the original article for additional details.
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