Claude resolveu o mistério de 26 anos das sementes ECDSA do NIST: eram timestamps de 1997

Por 26 anos, criptógrafos desconheceram a origem das sementes que geram os parâmetros das curvas elípticas do NIST, e se esse mistério escondia uma backdoor deliberada. Em 16 de outubro de 2026, a Anthropic revelou que o Claude resolveu a questão em menos de meia hora: as sementes vêm de um gerador pseudoaleatório C chamado lrand48, inicializado com timestamps Unix do final dos anos 1990.
As curvas primas do NIST — P-192, P-224, P-256, P-384 e P-521 — sustentam grande parte do tráfego criptografado da internet. A origem exata de suas sementes nunca foi explicada, alimentando especulações sobre se a NSA havia introduzido uma fraqueza oculta nos parâmetros.
O que o Claude descobriu
O Claude formulou a hipótese de que as sementes vinham de um PRNG fraco dos anos 1990 e escreveu um scanner para encontrar saídas consecutivas desses geradores. A pista central foi que os bits mais significativos de várias sementes eram consistentemente zero, padrão estatisticamente improvável que corresponde à saída de 31 bits do lrand48. Para as curvas primas, o Claude usou o algoritmo de redução de reticulado LLL para recuperar os estados do gerador.
A semente de P-256 corresponde ao candidato nº 1842 de uma execução iniciada em 16 de agosto de 1997 às 01:52:34 UTC. Os timestamps variam entre maio de 1997 e abril de 1998.
Implicações para a segurança
A Anthropic é clara: não se trata de uma quebra criptográfica nem de um novo ataque. P-256 e variantes permanecem como recomendação padrão. O que muda é a plausibilidade de uma backdoor intencional: quem projetasse uma fraqueza matemática não escolheria parâmetros saídos de lrand48().
Questões permanecem em aberto: a semente da curva binária B-163 continua inexplicada, os pontos base de P-224, P-256, P-384 e P-521 são desconhecidos, e o candidato 876 para P-256 foi descartado sem que o NIST explicasse os critérios.
IA como detetive criptográfico
O Claude resolveu em menos de 30 minutos um mistério que pesquisadores humanos não conseguiram decifrar em 26 anos. O prêmio de US$ 36.864 será doado ao Internet Security Research Group, que opera o Let’s Encrypt. A Anthropic publicou o código Python completo para reproduzir a derivação.
Publicado originalmente por Anthropic Research. Leia o artigo original para mais detalhes.
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