Austrália amplia lei que obriga big techs a pagar veículos de notícias, exigindo acordos com ao menos 8 veículos

A Austrália apresentou ao parlamento em 13 de agosto uma versão revisada de sua lei de licenciamento de mídia, elevando para pelo menos oito veículos o número de acordos jornalísticos locais que grandes plataformas de tecnologia devem fechar, ante seis em uma versão anterior, segundo a Reuters. O projeto de lei revisado também destina 5% dos fundos arrecadados sob o esquema diretamente à Australian Associated Press (AAP), a agência de notícias do país, antes controlada pelo setor, que escapou por pouco do fechamento em 2020 e agora opera como organização sem fins lucrativos.
Como funciona a taxa
Sob a lei, as plataformas devem uma taxa equivalente a 2,5% de sua receita publicitária na Austrália, compensada pelo valor dos acordos comerciais que fecham diretamente com editoras de notícias. O governo restabeleceu um teto que limita qualquer acordo individual a 25% da obrigação total de taxa de uma plataforma — mudança feita após discussões entre governo e oposição, com o objetivo de impedir que plataformas cumpram a maior parte de sua obrigação por meio de um ou dois grandes acordos enquanto veículos menores ficam sem compensação.
A ministra das Comunicações, Anika Wells, disse que as mudanças foram desenhadas para “apoiar melhor organizações de mídia menores e diversas”, refletindo como o público acessa notícias cada vez mais por uma gama mais ampla de fontes do que quando a lei original foi redigida. O esquema agora inclui explicitamente TikTok e LinkedIn (da Microsoft) ao lado de Google e Meta, as duas plataformas visadas pela lei original de negociação com a mídia da Austrália de 2021.
Por que a lei precisava ser revisada
Aquela lei de 2021 exigia que Google e Meta negociassem acordos de pagamento por conteúdo jornalístico, com um árbitro nomeado pelo governo com poder para definir os termos caso as negociações fracassassem. Ambas as empresas inicialmente fecharam uma série de acordos comerciais sob aquele arcabouço. Mas a Meta depois disse que deixaria de pagar por conteúdo jornalístico na Austrália e em outros mercados, levando Camberra a redesenhar o regime para sua estrutura atual de taxa e compensação, em vez de depender apenas de acordos negociados.
O que isso sinaliza para a regulação de plataformas
A lei original da Austrália se tornou um modelo estudado por outros governos ao desenhar seus próprios esquemas de pagamento de big techs à mídia, e esta revisão — ampliando a exigência de acordos com veículos, limitando a concentração de um único acordo e incorporando plataformas mais novas como o TikTok — sinaliza como reguladores estão adaptando esses arcabouços à medida que tanto o cenário de plataformas quanto a economia das editoras continuam mudando. O projeto de lei ainda precisa passar pelas duas casas do parlamento antes de entrar em vigor, mas o governo disse que as mudanças seguiram contribuições de legisladores da oposição com o objetivo de garantir apoio político mais amplo para sua aprovação.
Publicado originalmente por Reuters. Leia o artigo original para mais detalhes.
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